terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Sinto-me no meio de um ciclo da máquina de lavar

E eu precisava que parasse para respirar. Já se aperceberam que volta e meia estou afastada do blogue, e ainda no outro dia a minha amiga Inês me dizia: "Antes de passar tanto tempo contigo e de presenciar as coisas que acontecem eu achava que era demais e não podia ser".
Mas é verdade, a minha vida anda sempre às voltas, sei que todos têm problemas e uns maiores que os outros, mas constantemente é mais difícil.
Eu sei que não nos devemos deixar ir abaixo e levantar a cabeça, etc, etc. Mas como toda a gente que passa por estas situações sabe que nem sempre é fácil levantar a cabeça quando temos algo a empurrá-la para baixo.
Ora mais uma vez estou a atravessar uma altura de turbilhão, a minha tensão arterial voltou a apresentar valores mais elevados que o que deveria ser, especialmente a mínima está sempre acima do 10 e é perigoso. Finalmente fui ao cardiologista na tentativa de descobrir uma solução, uma vez que já fiz vários exames e já tenho alguns problemas. Lá me prescreveu uns exames para eu fazer para "eliminar a última causa tratável que falta apurar", e receitou-me o adalat para eu tomar em SOS mas que quando o tomei (por 2 vezes) me senti tão mal que não posso voltar a tomar pois acelerou-me as batidas cardíacas, fiquei com a cara toda vermelha e com uma dor de cabeça de apetecer esmagá-la na parede. Quando fui fazer a ressonância foi uma carga de trabalhos, sou alérgica a uma série de medicamentos tiveram que me injectar corticóides para me darem o contraste, fartei-me de vomitar e devo dizer que o pessoal do Hospital da Luz foi um espectáculo e só me deixaram sair de lá depois de terem a certeza que estava bem. Agora é aguardar os resultados e andar com os comprimidos para colocar debaixo da língua em emergências.
Para melhorar tudo na sexta feira à tarde o meu avô de 90 anos de quem eu já falei aqui, sentiu-se mal e teve de ir para o hospital, já sabemos que teve um AVC e perdeu logo a fala, piorou consideravelmente desde então, tem uma hemorragia pulmonar e não reage, nem sabemos se conhece alguém, está no SO e dificilmente saírá de lá. Compreendemos que 90 anos sem nunca ter ido a um hospital já é uma vivência muito boa, e o nosso maior desejo é que ele não sofra, mas é duro e é mais um embate.
Desculpem o testamento mas no fim queria também que não pensassem que abandonei o meu cantinho, a disposição é que não é muita.
Lembrem-se sempre de dizerem o que querem dizer às pessoas enquanto estão cá, nunca se sabe quando deixamos de as ter.